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Wicca

Wicca Tradicionalista, Gardniana, La Strega, Tradição Ibérica, Tradição do Norte, Druidismo, Xamanismo, Neo-Paganismo, etc...expressões que ultimamente aparecem em publicações e revistas do meio Oculto, todas diferentes, com algumas afinidades.
O Paganismo é como uma Árvore com extensos ramos, cada um expressando uma Tradição com direcções   (formas de culto ) diferentes, mas todas com o mesmo fundamento, a adoração Politeísta.
O que nos difere de outras religiões, é a não aceitação de uma única força divina: queremos na Dualidade-Deusa-Deus, como forma criadora e geradora de Divindades. Acreditamos na reencarnação, mas não em "pecados", temos respeitabilidade e alegria pela vida, procuramos viver livremente amando e não prejudicando aos outros. A cosmogénese, os ensinamentos e a evolução na senda espiritual das Tradições mais puristas são semelhantes na sua essência.
As práticas Ritualisticas e uso das formas mágicas diferem umas das outras, consequência da influência do meio ambiente, civilização, cultura e evolução da própria sociedade em que se inserem.
O ressurgimento do Paganismo se encarado por alguns como um modismo, é conceito errado, porquanto os Guardiões da Velha Religião subsistiram ao longo dos séculos permanecendo fiéis aos seus princípios.

Origens

A ligação do homem ao mundo dos Divinos data desde a sua existência... achados arqueológicos de há 30.000 anos atrás comprovam-no! - o conceito de religiosidade e a sua evolução, foram inicialmente Matriarcais e Politeístas. A existência dos primeiros aglomerados revelam-nos que os cultos eram dirigidos á Divindade Feminina, revelado em figurinhas representando a mãe criadora - a Deusa. Indubitavelmente a primeira forma de adoração e culto. As suas representantes terrenas, chefes e Senhoras da tribo eram tidas como conselheiras-sábias, mulheres conhecedoras dos segredos das plantas, da influência dos ciclos Lunares, dos partos e dos cultos aos Idos e da altura propícia á deslocação da tribo consoante as estações.  Representantes fidedignas da Deusa, posteriormente chamadas de Sacerdotisas, Oraculares ou Feiticeiras.
Consequência do analogismo das idades representativas na Mulher, cultuam a Deusa Tripla=- Senhora da Vida, da Procriação e da Morte. Em cada religião este culto surge com nomes diferentes, simultaneamente e em diversos lugares do planeta, não devendo ser confundido com as posteriores analogias adaptadas pelo cristianismo.
A evolução das sociedades nunca é global, e também passou por estágios desiguais em locais diferentes, de 10.000 a 8.000 anos A.E.C.* algumas das tribos mais numerosas criaram aglomerados populacionais, organizaram-se, derivando em cidades-estado, origem dos grandes Impérios.
O crescimentos das civilizações na antiguidade Oriental e Antiguidade Clássica   (Suméria, Mesopotâmia, Egipto, Creta, Pérsia, Grécia, etc.  ) geraram formas de culto mais sofisticadas: a Divindade é expandida ao quotidiano e as forças básicas da Criação   (principio Feminino- Masculino  ) não bastam aos Homens.  As Divindades especificas derivam nos Panteões - Deusas e Deuses, filhos da Criação da Deusa-Mãe e do seu Consorte são adorados e cultuados.
Surgiram magníficos Templos símbolo de agradecimento e retribuição dos Homens ás suas Divindades pelos feitos concedidos. A adoração converte-se em religião organizada, engrandece e hierarquiza-se derivando nas religiões dos Impérios, dai advindo as Sacerdotisas e Sacerdotes do Templo.
Mas nem todas as tribos formaram cidades imperiais, e simultâneo ao desenvolvimento das Civilizações no Médio Oriente e bacia do Mediterrâneo, sensivelmente 2.200 A.E.C., surgem as invasões de povos Arianos aos habitantes dos vales do Indo   (Ásia Menor  ) gerando o movimento de algumas tribos Dravídicas para a Europa Central, originando a caminhada dos Hindus para o continente Europeu na mais significativa mistura de culturas para os povos nativos.
Posteriormente apelidadas de invasões Celtas, mesclam-se com os habitantes de Continente Interior, Peninsular e Ilhas do Norte, evoluindo numa cultura com sentido mais adicto á Terra Mãe e ao ancestral culto da Deusa, dadora de saberes e poderes misteriosos ás Senhoras da tribo.
A exigência de protecção conduz ao apelo do Deus Consorte, poderoso e viril, que abençoará o Chefe, dotando-o de poderes extraordinários. Surge o culto do Guerreiro, qual rei que protege a tribo dos inimigos, em parceria de grau com a Sábia-Sacerdotisa, ponte de comunicação com os Deuses.

Eis a WICCA HERDITÀRIA. Culto Matriarcal, passado das Anciãs às filhas, das filhas às netas e de geração em geração estes conhecimentos ancestrais resistiram no Mundo ao poder de Roma, às perseguições cristãs, e à era Industrial.

WICCA TRADICIONALISTA tem bases da Hereditária, com a componente da influenciabilidade de culturas exteriores, originadas pela adopção de culto e segredos mágicos aquando dos visitantes Fenícios e Gregos e da posterior cultura Árabe.
Nestas vertentes da Wicca, apoiam-se A Strega   (Etruscos  ), a Tradição Ibérica, Tradição Celta   (pré-Gardneriana  ) e a Tradição Balcânica.
A Wicca, como hoje é intitulada a Feitiçaria, é uma religião de natureza shamanistica, e o culto de duas Divindades adoradas e honradas tal como nos ritos Wiccanos: A Deusa, e Seu consorte o Deus Astado.

O XAMANISMO. Essencialmente uma religião tribal, não só de culto Matriarcal também abrange o contexto Divino do masculino. Xamãns, mulheres e homens, usualmente operam solitariamente. Perduram em tribos Índias da América do Norte e Central, Amazónia e Austrália.

O DRUIDISMO é o culto ao Deus Criador, princípio masculino, O Sol. A Divindade fazia parte da Antiga Trindade Druidica, muito anterior ao cristianismo.
Simbolizada pelos três raios ou emanações do seu grande criador Celi, não o Sol como astro. O Druidismo é também uma religião naturalista.
Se a Wicca reconhece o Deus como componente da Criação, também o Druidismo reconhece a Deusa. Antigamente Druidas e Feiticeiras reuniam-se duas vezes por ano, para em conjunto celebrarem os Solícitos. Os Druidas seguem o Caminho do Sol, as Feiticeiras seguem o Caminho da Lua.

Porquê se chama "Wicca" à Velha Religião?
Na realidade o termo nominal mais correcto para o culto antigo, é A Velha Religião, ou a Arte dos Antigos. Também na língua inglesa o titulo correcto seria, The Craft of the Wise, ou Wisecraft, pois de facto na língua saxónica wicca era o termo usado para designar um feiticeiro.
Contudo tornou-se tão costumeiro a palavra Wicca, abrangendo o rótulo pertencente às religiões do passado, quando na realidade a actual Wicca é mais neotérica, ainda que mantendo o conhecimento dos antigos rituais.

 A WICCA GARDNERIANA - O fundador e divulgador da WIcca moderna foi Gerald Gardner   (1884-1964  ). Iniciado no primeiro estágio da Arte dos Antigos em 1939, por Dorothy Clutterbuck, Sumo Sacerdotisa do Southern Coven of British Witches, publica em 1954 o livro Witchcraft Today o qual causou grande impacto e despertou crescente interesse na matéria.
Gerald Gardner nutria muito interesse pelo Ocultismo e antes de se dedicar inteiramente à Velha Religião passou pela Maçonaria e pela O.T.O. Ordem da Golden Dawn, Fellowship of Crotona e pelo Druidismo tornando-se amigo intimo de McGregor Reid e seu filho, chefes sucessivos na Antiga Ordem dos Druidas. As ritualisticas da Alta Magia de diversas fontes, causaram fortes impressões e influenciaram profundamente este Adepto da Craft...
Nos finais dos anos 40 compilou vários Ritos, alguns de origem arcaica e tradicional, criando assim o seu Livro das Sombras, manual composto de Leis Wiccanas, Rituais e teorias mágicas. Manual posteriormente revisto em 1950 por Doreen Valiente, uma inspirada senhora, considerada uma das suas Sacerdotisas predilectas. Não menos famosas e também iniciadas por G. Gardner, as Sumo-Sacerdotisas, Lois Bourn e Patricia Crowther em muito também contribuiram para a imagem e divulgação correcta da Wicca.
O que difere a Wicca Gardneriana das tradições subsequentes, é a filosofia dos ritos ancestrais, uso e estudo intenso de práticas mágicas, o hermetismo dos Covens para com o exterior e a selecção cuidada na admissão de neófitos, e um inabalável código de Honra e Irmandade entre todos.

WICCA ALEXANDRINA - Alex Sanders,    (1926-1988  ) não chegou a ser iniciado por Gerald Gardner, mas em estágio preliminar conseguiu copiar parte do Livro das Sombras de Gardner... em 1962 Alex conhece uma ex-maiden do coven de Patricia Crowther, Pat Kopanski, cujo o material usou como suporte para uma teoria iniciática através da sua avó... certo é, que o material que Sanders apresentou como tendo sido dado pela sua parente, era palpavelmente Wicca Gardneriana, mais, os textos usados eram os adaptados pela revisão de Doreen nos anos 50.
Trabalhou algum tempo na livraria de John Rylands em Manchester, tendo acesso a Grimórios importantes, como as Clavículas Salomonis, Magia Egípcia e Abra-Melin, entre outros, e a seu modo adaptou o material obtido dos Ritos da Craft.
As práticas dos Covens Alexandrinos diferem em vários aspectos dos Gardnerianos. Se as bases parecem idênticas, preciste sempre a diferença de que Alex não teve o total acesso aos Mistérios dos Ritos Gardnerianos, permanecendo os antigos mais puristas, e os Alexandrinos mais orientados para um ritualismo mágico complexo.
O expoente da Wicca Alexandrina surge com Janet Farrar e Stewart Farrar, casal iniciado por Alex, que através de livros e publicações relatam ao pormenor os rituais praticados nos Covens. Tidos como precursores do Paganismo moderno, "abriram as portas" ao mundo exterior, servindo de inspiração para diversas práticas pagãs e infundindo ideias a novos autores.

A WICCA PROGRESSIVA - Surge em Inglaterra em 1989, um movimento formado por Wiccans, aceitando adaptar os novatos e eclécticos, relevando a Adoração aos Deuses no ambiente natural e dando preferência às Celebrações externas, subscrevendo uma trajectória iniciática sem rituais fixos, e trabalhando variadas tradições até alcançar um ponto de harmonia comum a todos os seus membros.
Alguns Covens aprovaram esta ideia dando suporte às Cerimónias e Ritos externos sem contudo deixarem as suas raízes e hermetismos, operando em conjunto com Adoradores Solitários e ajudando-os a celebrar correctamente se os vincular a Covens. São o atrium de entrada aos Mistérios. Mantêm contacto internacional entre os vários grupos, ajudando e orientando os visitantes recomendados, sem cobrança de cotas ou serviços.
Um Circulo pode englobar vários Adoradores desde que sigam uma linha Wiccan, e apesar de seus Ritos serem abertos, não desfiguram a Wicca. Para muitos, na impossibilidade de acesso a Covens, este é um ponto de partida, que se encarado e trabalhado respeitosamente preenche o Adorador solitário e permitir-lhe-à  maior facilidade em contactos.

NEO-PAGANISMO - Movimento surgido nos finais dos anos 70 e em expansão pelo Mundo. Conhecido pelos seus Ritos desobrigados de graus Iniciáticos que consideram pragmáticos e sem estrutura padronizada da Wicca, ainda que baseado em alguns conhecimentos delatados pelos Alexandrinos, aliam-se também ás tradições populares e folclóricas. Um Pagão não é denominado Wiccan pois os projectos são diferentes, apesar de todos serem politeístas.
Afeito à Adoração dos Deuses e fortemente ligada ás forças da natureza e seus ciclos, os Pagãos nem sempre estão ligados à magia, nem se vinculam a um Coven. Para muitos, é a forma mais conveniente de abraçar o Paganismo sem estar ligado a práticas mágicas mais complexas. Usualmente não há demarcação dos Graus Iniciáticos, pretendo-se dos Oficiantes apenas o seu melhor.
Quando uma Cerimónia é bem concebida e a/o Oficiante sinceros, o Ritual torna-se muito belo, expressivo, e o elo de energia pode ser magnifico.

As armadilhas...

Na realidade, desde a efusão da Wicca dos anos 70/80 muito das suas raízes se tem adulterado e transformado. Numa religião que não pretende ser amálgama, que não deveria aceitar convertidos nem converter, estruturalmente nuclear e baseada em Covens, Círculos ou em Grupos Eclécticos, tornou-se difícil conter ou impedir a proliferação do charlatanismo e do uso indiscriminado do nome.
Alguns autores chegaram ao cúmulo de vender cursos de Wicca por correspondência ou em Oficinas/ Workshops de "Wicca" ! Imagine-se o ensino de uma Religião ser vendida em sessões de fim de semana ou por correspondência !?
Sem a menor intenção de ofensa, apenas vos coloco esta questão: conhecem algum caso de um Rabino, Maçon, Padre, Brâmane ou Xamâns, preparado e iniciado por correspondência? Então na Wicca também não!
Outros apócrifos roçam o ridículo - proveitoso - intitulando-se de Iniciados sem dizerem por quem, e vendem por correio uma fórmula de feitiço a 10.000$00 ou duas por 20.000$00, afora o preço dos produtos necessários... enfim uma serie de disparates, que só o desespero e a ânsia do conhecimento do interessado pode levar a tal incauto. A Wicca não se vende, aprende-se.
Um Wiccan, mesmo que profissional do Ocultismo nunca usa a sua religião para apanágio publicitário, e se o fizer, então de certeza que não o é.
Totalmente distinto e admissível, é a venda de artefactos e produtos para Wiccans ou interessados, em lojas especializadas, diferente do publicitar-se com títulos metafóricos ou na venda de "cursos". As Sacerdotisas e Sacerdotes Wiccans, Covens ou Círculos, jamais cobram dinheiro pela sua Arte. Nós regemo-nos por códigos de honra e ética muito próprios, e a venda do nome dos nossos Deuses é uma desonra e um insulto á Irmandade Wiccan.
Aos Eclécticos e Adoradores Solitários de facto, actualmente existem muitos seguidores e praticantes solitários, informados apenas por livros, mas somente poucos de entre muitos perfazem arduamente seus ritos, quiçá com algumas dúvidas.
Não deixam de ser importantes para a Wicca só porque não são Iniciados, porquanto no passado nem todos pertenciam a castas sacerdotais ou a grupos, e um bom Coven, mesmo que não aceite um Adorador, reconhece aqueles que O são verdadeiramente...
A esses, que seguem adiante, plenos de certeza de que esse é o seu caminho, alguns serão que um dia encontraram a porta aberta, pois aquela/aquele que sinceramente o deseja assim o encontrará... e a Esses aonde estejam e para onde eles forem, encontraram sempre o Sol, a Lua e as Estrelas que os Abençoarão

Texto gentilmente cedido por  HP's Lilith

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