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 E assim nos falam as Brumas...




Sempre foi um tema difícil e de controvérsia insistente, falar-se de Morgana Le Fay  e situa-la no tempo e no espaço. No espaço sabemos que a Cornualha é sem dúvida uma região para alguns inóspita e agreste do Sul da Grã-Bretanha. Ladeada por rochas e penhascos é uma região costeira e cheia de maresia e cheiro a mar.

O Tempo é o século IV, século em que o Império Romano começa a decair e em 383 as legiões começam a abandonar a Britania, saindo definitivamente em 407. È também uma altura de tumultos e invasões de povos que pela sua sede de conquista invadiam a Britania de entre eles os Saxões. Por isso e com grande mestria seria necessário a protecção deste espaço e deste local , feita por um Rei único e Supremo, aquele que reinaria sobre todas as tribos e reinos para uma Britania, fazendo-a unida e forte, capaz de enfrentar todos os invasores. Era, como será fácil de calcular, uma tarefa difícil pois todos estes povos nados desta região, teriam de aceitar este Rei para que ele os pudesse comandar, mas mais do que isso, teria que ser reconhecido por todos eles como o Rei Supremo da Britania.

Tintaguel era uma fortaleza bastante peculiar, e tem uma ligação bastante forte com Morgana Le Fay visto ter sido neste castelo-fortaleza que foi nascida e criada até aos 14 anos.
Tintaguel era propriedade de Gorlois Duque da  Cornualha que servia Ambrosius, na altura moribundo e Rei Supremo da Britania. Nesta altura, o cristianismo operava as suas frescas imposições e revelava-se como sendo uma religião intransigente e que se queria única mantendo-se imposta no absolutismo do sistema religioso. Quase toda a bretanha estava sob esta sombra devastadora, embora os homens ainda se mantivessem confusos e algo relutantes quanto á primazia cristã nas suas práticas religiosas.
 Teria sido até proibido por alguns Duques e homens de alto poder as "práticas profanas e pagãs" que ocorriam, feitas por aqueles que resistiam com as suas fogueiras de Beltain nos pátios das fortalezas.

Avalon há muito afastada do mundo dos homens, no intuito de se manter impenetrável, ainda regia o coração de alguns. Muitos dos homens ainda se viravam para os Antigos Deuses na procura da sua protecção e aprovação, mas a intransigência dos clérigos e dos suas filosofias, afastavam de forma abrupta estes pensamentos, impondo uma Britania cristã e uniforme nos seus creres. Em tempos antigos de convívio saudável entre druidas e padres cristãos, não havia a confusão da diferença de credos - embora aquilo em que acreditavam fosse diferente, o trabalho era único e direccionado para o mesmo fim.
 Muito se aprendeu com este convívio e em nada se poria em causa as crenças e fés de ambos,  tendo consciência que não sendo melhores ou piores, seriam apenas caminhos diferentes. Mas a ambição pelo poder e pela primazia nas crenças, fez do cristianismo uma religião ambiciosa, envenenada pelo fruto mais venenoso de todos - o poder absoluto sobre o monopólio religioso. O Conhecimento antigo ficou esquecido e apenas aqueles que o guardavam ficaram para o fazer lembrar.

Voltando ao século IV, não se poderá dizer que todos os homens puderam ser censurados pelo esquecimento,  mas um enorme abismo abriu-se e nele caíram conhecimentos ancestrais e antigos que foram rotulados de hereges e ignorantes. Mesmo assim não havia Rei Supremo que não se fizesse rodear pelo Merlin da Bretanha, sabendo no entanto que muitos dos seus cónegos cristão lhe torceriam o nariz e que o lembrariam do amor divino e misericordioso  do Deus único.

O pecado é outra das ideias que foram introduzidas nesta altura em  grande força,  para não mais do que, conseguir controlar aquilo que faziam os homens . O pecado será sem dúvida uma arma inteligente no controlo dos homens de consciência pesada e limpos de responsabilidades pois essas decaíam numa confissão renovadora e balsâmica que os imbuía de um perdão sempre pronto e acessível ficando livres para o tornarem a cometer pois outro perdão estaria á espera, paciente e tolerante.

O próprio sexo era pecado salvo raras excepções e em alturas determinadas. A visão da fertilidade e do nascimento era manchada pela crueldade de uma culpa desmedida e de carácter impuro. Apenas mais uma estratégia inteligente de controlo e submissão, através da redução da imagem feminina a uma pecadora nata por natureza, condenada e suja.

Num tempo rebelde em que os homens não se entendiam e em que as fés se misturavam, lembra-me esta nossa era de confusão e procura. No ressurgimento de Velha Religião surgem gentes interessadas pela alternativa e pela diferença mas esquecem que a sombra que acompanha as educações, é de facto cristã e muito há a aprender.

Tal como Morgana Le Fay os guardou e os fez recordar pelos tempos até nós também será nosso o dever de a preservar e clarificar.

Mas a confusão é de facto uma realidade e os homens, cada vez mais confusos, aproximam-se do que é Antigo, procurando respostas para aquilo que é limitado em perguntas e mais limitado ainda em declarações verdadeiras e sensatas.

Os Homens despertam, acordam.

Vêem que para trás deixaram algo que sempre andaram á procura mas que nunca lhe souberam o nome . Quem iria apagar essa procura e deixar que se pudesse esquecer tais ensinamentos?
 Tais foram as tomadas de festas e de dias sagrados, que se uma análise for feita com cuidado, verifica-se que apenas lhes mudaram os nomes e aquelas festividades que foram ignoradas, foram-no porque aparentemente não haveria beneficio em faze-lo.
 Mas o cuidado e o aviso vai para aqueles que o não sabem, os que, confusos, não se informam perante as controvérsias.
De facto os tempos mudaram desde a época em que Morgana Le Fay viveu, mas se olharmos com cuidado e precisão, vemos que as similaridades se estendem até á confusão e á mistura de ideias e definições. A mesclagem é confusa e continua-se a cair no erro da mistura desmedida.

Que sozinha esteve nesta Caminhada
 e que muitas vezes sozinha lutou contra o esquecimento,
torna-se uma fonte de incidência,
 para que sozinha não esteja agora embora em tempos diferentes e distantes,
embora em espaços e regiões diferentes
 a contenda é a mesma e a defesa desta ideia será a nossa missão.
Para que assim descanse
 sempre pensando que aquilo para o qual todos lutaram não tenha sido apenas um pormenor
 e que de pormenor nós nos lembremos sempre.


A Sabedoria guardada em Avalon e pela qual se fizeram tantos esforços e depois de tantos Caminhos desvendados e outros encobertos para mais tarde se revelarem,
Que as brumas se mantenham até que chegue a época certa para as levantar.



Texto de Oakmer 2000 ã


Texto lido na Conferência da Federação Pagã Portuguesa


em 28 de Outubro de 2000 no Teatro da Comuna - Lisboa


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Celtic Oak 2000 ã


Templo de Lugh 2001® 
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