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Os druidas sempre nos intrigaram quer pela sua origem quer pela figura à qual estão ligados. Quem foram os Druidas na realidade? De onde vieram ? Faz sentido o Druidismo hoje? Quem então a pratica de forma correcta?

Estas e outras perguntas mais preocupantes, assaltam-nos na inquietude do saber. Mas não serão vãs e despropositadas, sabendo que pouco ou nada ficou dessa tradição e que os documentos são inexistentes ou quando existem são pouco fiáveis. De que modo então poderemos identificar o Druidismo de hoje e o Druidismo de outrora? Será que faz sentido empregar o termo Neo-Druidísmo?

Em primeiro lugar deve-se manter bem claro a ideia de  que o Druidismo, seja qual for a sua vertente; filosófica; teológica ou mágica; é e será sempre uma tradição pagã. Enraizada na cultura indo-europeia o Druidismo segue uma influencia histórica e socio-religiosa bastante específica, no entanto muitas são as especulações quanto à origem desta tradição. Na realidade apenas podemo-nos fazer valer dos autores clássicos como César ou Plínio o Velho mas se até hoje será difícil para um historiador estar isento da sua cultura para analisar outra historicamente, o mesmo se passou com estes autores clássicos que apenas nos relatam acontecimentos que para eles seria relevantes e além disso, fizeram-no aos olhos da sua cultura, por vezes até influenciados por interesses específicos como é o caso de César.

Sabemos que os Druidas foram os sacerdotes dos celtas e que juntamente com esta função acumulavam outras tais como a cura, a adivinhação ou a consulta dos oráculos e  o exercício da lei. È claro que aparte destas funções detinham um profundo conhecimento cosmológico e astronómico.

O Druidismo e citando Jean Markale no seu livro The Druids:

"Clamar palavras em língua celta, vestir-se com uma larga túnica branca, não será o suficiente para se aclamar ser-se um verdadeiro druida.

Como já foi mencionado, o Druidismo só poderá ser-se visto dentro do panorama de uma sociedade celta porque o sistema Druídico era de alguma forma a consciência de uma organização social. Será então lógico dizer que o Druidismo desapareceu na altura em que a sociedade celta se extinguiu, visto que o Druidismo não poderia existir nem ser vivido como religião. O que poderá ter ficado serão os princípios do Druidismo, pois esses não poderão ter desaparecido. E aqui começa a apaixonada procura do  Neo-Druidísmo, em todas as direcções, na tentativa de descobrir o pensamento Druídico e o ritual Druídico. Alcançar esta demanda, uma verdadeira "procura do , seria um interessante desenvolvimento e avanço apesar de e mais uma vez ser importante fazê-lo com as devidas precauções e fundamentações.

Uma coisa é certa: sem uma sociedade celta o Druidismo não pode existir.

Assim, o Neodruidismo não é mais do que arqueologia.
"
Fará então sentido hoje praticar esta tradição, que tal como Markale diz:
"O Druidismo não poderia existir nem ser vivido como religião" sem a existência de uma sociedade celta, visto estar intrinsecamente ligado à mesma e que esta, uma vez extinta, se extingue com ela a tradição?
De facto, e mais uma vez analisando Markale; a procura do neo-druidismo começa com os restos arqueológicos da antiga tradição: os seus princípios.
Por serem princípios descontextualizados corre-se actualmente um risco grave e cai-se num erro irresistível ; o encaixe destes princípios nas várias filosofias religiosas fora do paganismo. Pena que se esqueçam de que estes princípios ainda são pagãos.
Se apenas os princípios restam, como continuar então uma tradição sem se cair no improviso estéril da suposição e da colagem de outros procedimentos ritualísticos externos a esta tradição? E que sentido fará a reconstrução desta tradição hoje? Que necessidades poderão mover a sua revitalização hoje? E se já feita, por quem e quais os que a servem melhor?

Existem muitas "Ordens" Druídicas hoje, a maior parte na Europa mas também além mar.

Mais uma vez cito Markale:

"As Irmandades Druídicas poderão ser classificadas em quatro categorias principais. A primeira é a linhagem de John Toland (1669 - 1722), um Irlandês católico que funda a sua Ordem Druídica em 22 de Setembro de 1717. Esta ordem caracteriza-se como sendo um movimento anti- institucional, conhecida como Druid Order, cujas tendências paganizantes do seu fundador foram misturadas ás modificações feitas pelos Anglicanos. Poderemos procurar em vão por puro Druidismo nesta Ordem mesmo que a Ordem existisse hoje como existiu aquando da sua fundação. A influência do grande poeta William Blacke, um dos membros da irmandade, parece ter tido bastante importância neste ramo evidentemente esotérico do Druidismo, que continha também a pretensão das sociedades secretas. A segunda linha de Irmandades Druídicas, a Ancient Order of Druids, foi fundada por Henry Hurle em 1781. Hurle, um carpinteiro, deu a esta Ordem um colorido maçónico, assim como preocupações de carácter humanitário. William Blacke também pertencia a este grupo. Em todo o caso, os seus rituais parecem terem sido inspirados na maçonaria Escocesa.

A terceira linha druidica é a de Iolo Morganwg, um trabalhador maçónico cujo verdadeiro nome era Edward Williams e que nasceu tem Glamorgan em  Gales. Este inspirado, interessava-se pela cultura celta, e fez muitas pesquisas, publicando mais tarde vários dos seus trabalhos sobre o assunto, cuja  autenticidade ainda é objecto de reservas. É provável que Iolo Morganwg tenha coleccionado lendas e recolhido contos de folclore e que fosse conhecedor da literatura Galesa, mas pouco mais se sabe sobre ele, além do facto de que fundou a primeira Gorsedd Bardica e Druidica (assembleia) em Londres, em 21 de Junho de 1792 no dia do Solstício de Verão. Esta será uma prova de autenticidade (ou não) desta informação se nos recordarmos que os antigos druidas não tinham Solstícios nem os celebravam, facto que é sustentado por todos os documentos que temos à nossa disposição. Mas com Solstício ou não, o movimento cresceu. O Gorsedd Galês tornou-se no ramo oficial do Druidismo, e é aqui que se encontra a linha directa que existe actualmente na Bretanha da fraternidade dos Druidas Bardos e Ovatos. De início, as preocupações desta linhagem eram apenas de carácter nacionalista, desenvolvendo mais tarde preocupações de investigação literária em Gales, culturais e até científicas na Bretanha. Em cada evento os membros desta linhagem não se consideram como sacerdotes de uma antiga religião. Admitem uma dupla ou tripla associação com outros grupos religiosos e consideram o seu "Druidismo" uma demanda eterna no sentido da procura sabedoria Celta.

Numa quarta categoria inclui-se inúmeras Irmandades, fraternidades e grupos, não necessariamente ligadas a nenhuma das três descritas anteriormente. Algumas Irmandades são mantidas apenas pela vontade efémera dos seus fundadores. Outras estão ligadas a diferentes tradições. Cada uma delas tem a sua própria concepção do Druidismo, mas frequentemente estas concepções são resultado do sincretismo onde maior parte dos seus elementos heterogéneos ou até mesmo eclécticos se juntam. Algumas são abertamente pagãs ou ansiosas por reviver o antigo paganismo. Será de referir em especial a Celtic Restored Church, a qual faz parte do cristianismo ortodoxo, mas que procura redescobrir através do cristianismo celta -  tal como foi vivido pelas primeiras comunidades bretãs e irlandesas -  a harmonia entre o antigo Druidismo e a nova religião. É sabido que S. Patrick ordenou padres e até bispos dos fili irlandeses, e que estes mais tarde, herdeiros de uma dupla tradição, passaram-no aos seus sucessores.

A Celtic Restored Church proclama ter prova desta filiação.

Fora da Igreja celta, os rituais feitos por estas Irmandades são apenas uma reconstrução conjectural do que é imaginado ser ou ter sido um ritual druídico. Nenhum destes complexos rituais poderiam ter sido aqueles que se praticavam antes da introdução do cristianismo, e é desonesto dizer que o eram. Acreditar o contrário será admitir a  ignorância ou falta de informação. A falta de informação e os erros manifestos (em particular dizendo respeito a datas de festivais), a tendência ao esoterismo que permite toda a forma de misturas, sincretismos, a pronunciosa influência de ritos e doutrinas do oriente e extremo oriente, não permitem uma clareza da existência do Druidismo moderno, nem de um carácter celta. Não é um julgamento de valores. Cada membro destas Irmandades tem os seus motivos, demandas, e espiritualidade, todas claro, perfeitamente respeitadas e honradas. A minha única dúvida será, a de que estes rituais e as suas doutrinas colaterais têm pouco em comum com as que se conhecem histórica e cientificamente à cerca dos Druidas."

Assim sabemos que a maior parte das Ordens Druídicas que hoje estão activas e que se proclamam ser "druidicas" colam-se a outros ideais religiosos que não aquele que preside à origem desta tradição em nome do eclectismo pagão, desculpa bem engendrada para permitir o exercício do Druidismo por todas as pessoas que o possam querer praticar não abdicando de qualquer outra opção. Não estarei aqui a dizer que isto seja impossível ou errado mas que aqueles que o fazem segundo esta perspectiva não se poderão considerar seguidores da Antiga Tradição Druídica, mas sim apenas revestem a sua opção religiosa de princípios druídicos, o que obviamente não é a mesma coisa.

Tendo analisado de perto algumas destas "Ordens" cheguei à triste conclusão que poucas fazem jus ao Druidismo tradicional e até aos seus princípios mais básicos, mas além disso existe um mote que me preocupa; o de "fazer reviver a tradição a todo o custo", mesmo que isso implique misturar outras tradições ao druidísmo ou permitir a sua fusão com outras religiões.

Fará com toda a certeza sentido a continuação desta tradição hoje desta forma?

Não me parece sensato!

Acredito na sua reconstrução respeitando as variantes de cada região geográfica que detém particularidades não só panteonicas como também de natureza folclórica tradicional. O Druidísmo como qualquer tradição pagã, é um caminho espiritual a percorrer que serve fins e necessidades específicas.

Qual o seu sentido hoje?

O Druidísmo é essencialmente um caminho feito em duas fases;

a) o profundo conhecimento do indivíduo interior e exterior .
b) o profundo conhecimento dos vários planos de existência na sua totalidade no sentido da descoberta da Criação.

Isto implica que o indivíduo se insere num meio geograficamente definido e numa cultura especifica que irá condicionar obviamente aquilo que ele é, diferente de outro com outra identidade geográfica e cultural.

Além disso o Druidismo hoje será necessário em vários pontos:

1. Preservação da cultura popular pagã de cada região e das suas lendas e mitos.
2. Preservação e sensibilização das comunidades para aspectos de carácter ambiental e de conservação natural.
3. Orientação das comunidades para um crescimento espiritual dentro das tradições pagãs da sua região.
4. O ensino e a orientação das comunidades pagãs tendo em vista um aproximação à consciência ambiental e à sensibilidade do crescimento espiritual dentro de uma perspectiva natural, trabalhando em conjunto com a natureza e os seus ciclos naturais.
5. Reclamar as consciências pagãs e desmiticar pontos de vista básicos na formação do indivíduo na sociedade actual

Será claro que o Druidismo hoje não poderá servir os mesmos objectivos que servia na antiguidade, mas esses mesmos princípios quando aplicados à sociedade actual e à época em que vivemos, fazem tanto ou mais sentido que na sua origem.
O Druidismo hoje é não só uma opção de crescimento espiritual do indivíduo dentro das tradições pagãs mas também uma opção de vida viva e activa.
Texto de Oakmer ®

Celtic Oak 2000 ®

 

 

Druidismo Hoje