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Doreen Valiente


Doreen Valiente é considerada por muitos, a "mãe" do movimento contemporâneo pagão. Ela foi uma das primeiras iniciadas por Gerald Gardner nos anos 50 e fez várias contribuições importantes tanto a nível da escrita como a nível da ritualística. De entre os seus livros conta-se; Natural Mágic ; An ABC of WitchCraft Past and Present ; WitchCraft for Tomorrow  e The Rebirth of WitchCraft.

Comemorou-se á pouco tempo o aniversário de Gerald Gardner e com ele fez-se uma reflexão sobre o seu trabalho que em muito contribuiu para a wicca moderna. Assim e em forma de homenagem, não só a Gardner como também a Doreen Valiente, transcrevo duas das suas ultimas entrevistas, onde estão respondidas algumas perguntas interessantes que dizem respeito não só a Gardner e ao seu trabalho visto por uma das pessoas que trabalhou de perto com ele, mas também em relação a algumas questões que se prendem com o sentir da Craft no coração daquela que foi chamada por alguns a "mãe" do movimento pagão contemporâneo.
Esta é uma das ultimas entrevistas feitas a esta figura extraordinária da wicca contemporânea conduzida pela revista Fireheart, por Michael Thorn, em 1991.

Primeira parte - 1991

Fhireheart: Devo dizer que você não é o que eu esperava ver pela fotografia do livro The Rebirth of WitchCraft.  Parece mais velha na fotografia e com um ar mais gasto, na realidade é bastante mais nova cheia de vida e com muito bom aspecto...

Doreen Valiente: Bem, devo dizer que nessa altura estava muito mais decrépita. Agora tenho-me sentido bastante bem, mas estive absolutamente derrotada com arterite. O problema é que quando nos ataca, não há muito que se possa fazer. Os médicos querem-nos por sob o efeito das mais variadas drogas, que têm um pior efeito em nós, mais do que a própria arterite, e eu sou bastante céptica quanto a tomar esse género de drogas. A única coisa que encontrei e com a qual me dei bem foi um unguento feito de ervas. Faz-me bastante bem, o problema é que empesta toda a casa com o cheiro.

Fh: Ás vezes os melhores remédios são bastante desagradáveis, como por exemplo o óleo de fígado de bacalhau...

DV: Custavam-me empanturrar com isso quando era pequena. Eu não acredito que me tenha feito a mais pequena diferença, e tenho a certeza que era bastante mau para o frio. A arterite é bastante limitativa. Quando se tem arterite não há nada a fazer. Só poderá tentar manter-se quente. Ás vezes metesse nas articulações dos dedos das mãos o que torna a escrita bastante dolorosa. As pessoas não sabem o que é quanto não sofrem com ela. É provavelmente a combinação da velhice com a perversidade.

Fh: Se calhar é Karma ou a lei do Retorno e eles dirão " Iremos retribuir-lhe de uma forma ou de outra".

DV: Eu não acredito nisso da Lei do Retorno, sabe. Sempre fui muito céptica em relação a isso, mas eu sou muito mais céptica agora do que era dantes. Á medida que vou envelhecendo vou me tornado mais céptica ainda. Eu já não acredito em coisas que acreditava dantes.

Fh: De onde pensa então que surgiu a Lei do Retorno?

DV: Eu penso que o velho Gardner o deve ter criado num dos seus rituais e as pessoas tomaram isso de uma forma terrivelmente literal. Pessoalmente, fui sempre muito céptica em relação a isso, porque não parece fazer sentido. Não percebo porque é que deve de haver uma lei de karma para todas as feiticeiras e feiticeiros e uma diferente para o resto das pessoas. Não me parece bem. Não consigo acreditar nisso.

Fh: Em que acredita então?

DV: Acredito na reencarnação por exemplo e penso que explica muitas coisas. Eu tenho bastantes afinidades com o Egipto, e acredito que andaria por ali, naquele tempo. Lembro-me de ter lido um livro sobre o Antigo Egipto que seria suposto falar sobre a época de Akhenaton, e dei por mim bastante irritada á cerca do livro, quase que á espera de o fazer voar atirando-o para o outro lado da sala e gritar: "Não foi nada disto!!!"
Depois pensei para mim: "Mas porque é que estás tão zangada por causa deste livro? Isto aconteceu á séculos." O facto de o ler, despertou em mim a sensação de ter vivido ali naquele tempo. Desde essa altura, tentei captar um pouco mais daqui e dali, mas é claro, não existem provas de nada disto.

Também penso e tenho um sentimento bastante forte á cerca disto,...penso que a Mrs. Thatcher....já reparou alguma vez como ela se parece com a primeira rainha Elizabeth? E existe uma semelhança incrível na forma como ambas governavam o país. O espirito do reinado de Elizabeth esteve bastante presente nessa altura em Inglaterra. Não foi um bom reinado para as pessoas comuns. Mas é melhor não pisarmos o patamar da política.

Fh: Existe política em tudo. Mesmo na Craft.

DV: Seria melhor se não houvesse. Isso é uma das coisa que me faz pensar se a antiga estrutura de Coven não teve já os seus dias de glória. Ela servia o seu propósito, para a qual foi organizada, nos dias em que éramos forçados a ser um grupo clandestino. Poderei até perceber porque é que a antiga estrutura de Coven foi o que realmente manteve a Velha Religião viva. Mas penso que agora tudo está a mudar. Hoje em dia estamos a tornar-nos mais individualistas. Por um lado muitos dos Covens tradicionais, diziam respeito á família. As pessoas viviam no mesmo sítio e não saiam desse sitio, provavelmente durante séculos. As pessoas nessas situações sabiam melhor do que ninguém em quem confiar e quem não confiar. Saberiam que o tio Harold era desonesto por isto ou por aquilo e que o primo Herbert venderia a sua mãe por cinco tostões. Eles sabiam perfeitamente em quem confiar porque conheciam muito bem toda a gente. Assim você nunca poderia engana-los dizendo que seria o Lord disto ou daquilo pois eles diriam "Vá, acaba lá com isso. Nós conhecemos-te desde que ainda nem sonhavas nascer!" Estas foram as condições e circunstancias em que os antigos Covens foram criados. Eram fortes porque eram construídos sobre sangue Feiticeiro e sobre pessoas que sabiam em quem confiar. Eram quase praticamente um produto da própria terra.

Fh: Se pensa que os Covens já serviram o seu propósito, qual pensa então que será a próxima maneira de ensinar e praticar?

DV: Eu penso que terão de mudar. Em vez de deixar a política entrar dentro deles, o que é basicamente saber quem será a ou o Feiticeiro número 1, penso que se irão reorganizar sobre uma base bastante mais individualista. As pessoas irão começar a praticar sozinhas ou com mais duas ou três pessoas de confiança. Em vez de grandes Covens como costumava existir, irão começar a surgir pequenos grupos. Não penso que isto será negativo tendo em conta o panorama geral. Eu não acredito de forma alguma numa espécie de ortodoxia com a qual todos terão de se conformar.

Fh: Não penso que estejamos neste momento preocupados com a sobrevivência da Craft.
Penso que isso já está garantido.

DV: Bom, o Gerald estava preocupado com isso porque ele constatou que a maior parte das pessoas da Craft era de idade avançada. Ele e Dafo eram praticamente os mais novos elementos no Coven de New Forest, e na altura ele disse-me que tinha muito medo; uma vez que eles morressem, quem iria continuar o caminho? As pessoas tinham medo em Iniciar os seus próprios filhos nessa altura, e esperavam até eles crescerem. Apesar de tudo eu não sinto isso como uma coisa má. Não penso que as crianças devam ser levadas a praticar uma coisa só porque os seus pais a praticam. Mas ele estava bastante preocupado; se não metessem gente nova, iria tudo cair no esquecimento e desaparecer. E ele não queria ver isso. Se isso tivesse acontecido ou não se não fosse ele, é uma boa pergunta. Era isto que estava por detrás da sua procura de publicidade.

Fh: Quando começou a trabalhar com Gardner em 1950, alguma vez imaginou que a Craft tomasse as proporções que tem hoje?

DV: Não. Nunca pensei que viesse a tomar a proporção que tem hoje. Ás vezes sento-me e começo a pensar e quase que nem acredito. É espantoso. E digo-lhe sinceramente que não penso que se deva a mim ou a Gerald Gardner ou a outra pessoa qualquer. Penso que chegou o tempo.

Fh: O que pensa que Gerald Gardner pensou que fosse a reacção aos seus livros? Que iriam aparecer alguns Covens?

DV: Não tenho a certeza se ele alguma vez esperou que aparecessem alguns Covens. Ele apenas queria que as pessoas soubessem que a Feitiçaria ainda estava viva. Foi apenas quando as pessoas lhe começaram a escrever, e eu sei que ele recebia sacos cheios de cartas....o que é engraçado é que quanto mais o jornal Sunday o condenava, mais cartas ele recebia. E coitado ele não sabia mesmo o que fazer nessa altura. Começou por se encontrar com algumas pessoas que pareciam um pouco mais sensíveis e partiu daí. Mas nem por um momento, não penso que isso tenha sequer acontecido, ele pensaria ou calcularia que se espalharia desde os Estados Unidos á Austrália e agora na União Soviética.

Uma amiga minha também feiticeira, veio falar comigo um pouco no outro dia e disse-me que tinha visto um artigo no The Times á cerca do ressurgimento de Covens na Rússia e noutros países para lá da Cortina de Ferro. A pequena centelha conseguiu-se manter acesa lá, a brasa explodiu e cresceu em chama de novo. Depois também temos o facto do que se diz de Gardner; que ele teria inventado tudo aquilo, o que é mentira. Ele apenas dispôs a informação de forma a que as pessoas a pudessem usar facilmente. Mas não acredito que ele alguma vez tivesse inventado a ideia base que permanecia por detrás de tudo.

Eu tenho-me correspondido bastante ultimamente com o meu velho amigo Aidan Kelly. O que ele disse anteriormente ou o que eu pensei que ele disse foi que Gerald Gardner e eu entramos numa conspiração para enganar as pessoas. No que diz respeito ao velho Gardner, bem...eu não pretendo dizer que ele era a incarnação da verdade ela mesma, mas não penso que ele tenha inventado tudo. Penso que existiu um Coven em New Forest, e acredito que ele o tenha contactado. A pergunta põe -se de outra forma: quantas das ideias e conceitos de Feitiçaria que nós temos hoje foram trazidas por Gardner e quantas delas seriam mesmo tradicionais originarias do New Forest Coven. Esta é a pergunta que não sei se algum dia poderemos conhecer a resposta, porque infelizmente muita coisa se perdeu e existe sempre uma enorme controvérsia á sua volta. Muitas das coisas têm de permanecer como questões de opinião própria, e as pessoas terão de decidir por elas próprias. Se eu fosse mais nova e tivesse muito dinheiro eu mudar-me-ia para New Forest e tentava fazer um pouco de pesquisa de raiz....tentar encontrar alguns indícios do que se passou realmente ali. Se alguma vez se virá a saber...não sei.

Nesses tempos, as pessoas tinham de encobrir o seu rasto  muito mais do que fazem agora. Acredite, a Feiticeira que disse a Gardner que a Feitiçaria não era fácil de praticar, não estava a brincar. Naquele tempo era extremamente perigoso, não só ter alguma coisa a ver com a Feitiçaria, mas com o oculto em geral. Não era de forma nenhuma uma coisa respeitada como o é agora. Longe disso. As pessoas não tinham o mesmo tipo de direitos que têm hoje. Hoje existem leis que o protegem de ser posto na rua pelo seu senhorio se este não gostasse do que você estudava ou lesse, ou ser despedido do seu emprego, só porque o seu patrão é um cristão evangelista ou qualquer coisa desse género. Agora não podem dar pontapés ás pessoas assim como faziam dantes, as pessoas dantes eram sem dúvida muito mais vulneráveis do que são hoje. Tinham de se manter caladas, e tinham de encobrir as pistas e eram obrigadas a ser terrivelmente respeitadas.
Dion Fortune, por exemplo, tentou ter um lado de cristianismo místico na sua organização para contrabalançar o outro lado activamente pagão. Infelizmente e eventualmente não funcionou. Mas eram apenas pessoas que ou eram muito ricas e conseguiam levantar o nariz aos vizinhos ou que conseguiam ficar caladas. Não se entrava numa biblioteca pública, nessa altura e encontrar livros como se encontra agora. Eles seriam proibidos.

Fh: Então quando os livros de Gerald Gardner foram publicados, as pessoas que trabalhavam com ele não ficaram muito contentes...

DV: Claro que não. A Old Dorothy era uma uma mulher educada. Ela sabia o que estava a dizer quando aconselhou Gardner para desistir da publicação do livro. Receio bem que a discrição não era um dos pontos mais fortes de Gardner e ele queria realmente publicar o livro e revelar quase tudo. Então Dorothy aconselhou-o a publicar o livro em forma de romance histórico. Bom, isto é a ficção. Mas eu penso que muitas ideias que saem nos livros de ficção convêm mais aos títulos de ocultismo do que os livros que ostentam escrita não ficcional. Os melhores livros de Dion Fortune, na minha opinião, são de ficção. Tenho que admitir que nunca fui capaz de acabar o seu livro The Cosmic Doctrine. Como o famoso livro nas histórias da H.P. Lovecraft, não se permite ser lido. Mas os seus livros de ficção estão cheios de informação e interesse.

Fh: Se o grupo com quem Gardner estava a trabalhar naquela época, estava a fazer outros rituais diferentes daqueles que ele mais tarde rescreveu e trabalhou, teria ele  registado esses primeiros rituais?

DV: Se isto é verdade ou não, não sei, mas o seu sócio, Mr. Cecil Williamson, o qual na realidade começou o Museu da Feitiçaria, disse que Gardner tinha um velho livro que não era muito grande. Um manuscrito, que ele guardava com muito cuidado. Infelizmente um dia quando ele mostrava o Museu a uns visitantes o livro foi roubado e o seu desaparecimento nunca foi explicado. Agora, que livro era eu não sei. Não é com certeza um livro que eu alguma vez tenha visto. Qual o conteúdo do livro roubado, porquê foi roubado e se alguma vez irá ser recuperado...não sei.

Fh: Na sua opinião, quais são as diferenças no modo de praticar a Feitiçaria na Inglaterra e na América, e porque é que pensa que essas diferenças existem?

DV: Eu penso que nós aqui somos menos rígidos aqui. É claro, eu ainda não fui á América, por isso não posso falar com experiência própria, mas as coisas na América parecem ser muito mais organizadas, e por um lado, isso preocupa-me, porque retira um pouco o divertimento de tudo. Está tudo a ficar um pouco pesado demais. Eu não sei se os Americanos têm uma tendência natural para serem mais organizados do que os Ingleses. É claro que nós somos desorganizados de uma forma crónica e somos também tradicionalmente excêntricos em muitas áreas. Eu penso que somos mais informais aqui. Nos não organizamos  grandes encontros como acontece na América. Provavelmente será por termos menos dinheiro. Deve custar bastante caro organizar esses encontros. Deve ser bastante divertido.

Fh: É uma experiência única, porque nos podemos encontrar com pessoas que fizeram muitas coisas diferentes e os seus rituais....pode ver o que é que as outras pessoas fazem. É bastante gratificaste e produtivo. É bastante interessante porque existe uma grande diversidade naquilo que as pessoas fazem em termos de WitchCraft nos Estados Unidos.

DV: As pessoas tentam fazer o mesmo aqui e organizar algo parecido por altura do Halloween. Shan Jayran tem vindo a organizar um Festival, normalmente algures em Battersea, e ouvi dizer que tem sido um sucesso, embora eu nunca tenha participado de nenhum deles. Mas não é um acontecimento ao ar livre como vocês fazem na América. A América é basicamente um país muito maior. Vocês lá tem muito mais poder de manobra. Mas nos mesmo assim vamos conseguindo organizar algumas reuniões ao ar livre e muita gente se junta nessa altura. Mas não as podemos fazer de uma maneira tão aberta aqui. Não podemos alugar um terreno sem que a Igreja local nos intimide ou ameace, e esse tipo de coisas.

Fh: Bem, nos Estados Unidos também temos problemas, mesmo assim. Ás vezes temos de explicar com muito cuidado ás autoridades florestais o que pretendemos fazer e o que se vai passar.

DV: Uma das coisas que nos tem dado problemas aqui na Inglaterra são estes rumores sobre aquilo que eles chamam abuso satânico de crianças, o qual, como é evidente eles equiparam á Witchcraft. Tudo aquilo que aconteceu nos Estados Unidos, e provando ser um absurdo. Então agora importamos esse tipo de pânico para aqui...um mercado vasto e inteiramente novo. Tem vindo a ser assiduamente espalhado por certas organizações extremistas evangélicas.

O que me horroriza é , e isto é mesmo uma história horrorosa, é que em Rochdale, os serviços sociais e as assistentes sociais, depois de fazerem um seminário no qual eram doutrinados nesta matéria e dando uma lista de indicações de como detectar satanismo e abuso satânico de crianças, o que aparentemente tomaram como directrizes verdadeiras, rompiam pelas casas das pessoas á noite e levavam as crianças. O que é mais grave é que eles moviam-se legalmente, não só para que estas pessoas perdessem a custódia dos filhos, mas também para que fossem proibidas de dizer o que quer que fosse á cerca do assunto. Parece incrível numa sociedade democrata como na Grã- bretanha em 1990, mas é um facto. E só recentemente os jornais nacionais descobriram o que se passava, e que começou a escrever sobre tudo isto, trazendo o assunto a público. Algumas das crianças foram agora restituídas ás suas respectivas famílias, outras ainda estão, como eles lhe chamam, "em cuidado". Aos pais foi-lhes negada qualquer ajuda legal ao princípio, mas agora conseguiram ajuda legal e estão a tratar da recuperação da custódia dos seus filhos. Vai haver um grande julgamento a propósito do caso e o levantamento de um  inquérito oficial, mas este assunto só veio a ser do domínio público porque a imprensa descobriu e disse " mas que raio se anda a passar na Grã-Bretanha dos anos 90?". Eu não estou a dizer, é claro, que as crianças não estavam a ser abusadas. Não sabemos se na realidade o foram. Infelizmente existe uma quantidade de crianças que realmente são abusadas. Mas isso é bastante diferente do que dizer-se que isto é feito num ritual a Satã ou que faz parte de um ritual de witchcraft e é o que esta espécie de gente está a tentar inventar.

Felizmente, o chefe da polícia de Nottingham, onde todas estas alegações de satanismo começaram, disse que enviou um memorando especial ao Secretário dos Assuntos do Lar dizendo que não há  nenhuma prova concreta para se poder afirmar que as práticas satânicas estão patentes nestes casos, e lamentando  a existência deste mito diz que o caso, "está a contaminar o país como se fosse uma gripe Asiática."
O Chefe da Policia de Manchester  tem também manifestado o seu profundo desagrado quanto a estes relatos de Feitiçaria e satanismo relacionados com o abuso de crianças, afirmando ter feito uma investigação minuciosa aos todos casos . Não foram achados corpos nem crianças cozidas no microondas. Esta era entre outras, uma das acusações acredite ou não! Não encontraram ossos nem lugares secretos de reunião. Nada. Nenhuma destas histórias que foram aqui contadas foram fundamentadas com qualquer tipo de prova concreta.
Há apenas uma coisa que me chateia profundamente na atitude destas pessoas que afirmam ter testemunhado estes rituais de homicídio e todas estas coisas . Elas irão continuar a dizer mais coisas. Irão testemunhar perante as televisões, nos livros e nos jornais. Contudo existe um lugar a que essas pessoas nunca vão para contar os seus testemunhos. Por que raio é que eles não irão contar directamente à polícia? Muitas das vezes temos pessoas destas aqui na Grã- Bretanha a fazer este tipo de queixas, mas depois da policia os interrogar, saem cá para fora sem que se encontrasse provas suficientes para provar a queixa. No entanto alegam que "...estavam demasiado assustados para poderem ir á polícia". Bom, então porque é que só falaram agora? Por que é que já não estão assustados ? Se fossem á policia, esta dar-lhes-ia protecção, como faz quando se trata de casos sérios de homicídio. Então, se realmente estavam preocupados com isto e se arrependeram, querendo estar fora de tudo isto, porque é que não foram á polícia contar a história?

Esta é, na minha opinião,  é o que se chama um enigma e nunca  conseguimos ter uma resposta sensata e satisfatória. E gostaria de  perguntar isto a todos eles.
Estas alegações de assassinato ritual apareceram em todos os nossos jornais, a princípio, mas ultimamente têm diminuindo, agora que as investigações chegaram ao seu termino e dos chefes da polícia não terem encontrado quaisquer provas concretas e credíveis. Aliás, algumas das pessoas que testemunharam perante esses assistentes sociais, á cerca destes abusos satânicos, dizem agora que foram simplesmente submetidos a uma lavagem cerebral, consequência dos interrogatórios contínuos a que foram submetidos. Houve uma rapariga que disse: "Eles recusavam-se a aceitar um não como resposta. Não me deixavam em paz sem Ter o que queriam". Bem, se virmos bem, isto era o que se passava nos interrogatórios medievais no tempo da Caça ás Bruxas. O inquisidor recusava-se a aceitar um não como resposta.
Como digo, irá ser realizado um inquérito oficial e um julgamento para que estas crianças sejam devolvidas ás respectivas famílias. Sob o sistema judicial Britânico, se há um julgamento deste teor em eminência de se realizar, não poderá haver grande discussão do caso nos jornais enquanto ele está sobre segredo judicial. Não é permitido. Depois, poderão dizer o que quiserem, mas terão de se manter imparciais até que o caso seja resolvido juridicamente, isto porque, dizem eles, poderá interferir na decisão do juiz e do tribunal. Estamos portanto, e como deve calcular, bastante ansiosos quanto á conclusão do tribunal e á resposta do inquérito oficial. Pensa-se que irá demorar seis semanas aproximadamente. E está a custar ao contribuinte comum, alguns milhões de libras.

Fh: Lá vêm os impostos...

DV: Sim, lá vêm os impostos. Existe um aspecto patente nas Igrejas cristãs, o que eles chama de persuasão evangélica, a qual consegue ser bastante fanática e absolutista quanto ao assunto, não só em relação com a Witchcraft e satanismo mas com tudo o que de alguma maneira possa estar ligado com a New Age, até mesmo o vegetarianismo.  Qualquer que seja o assunto relacionado com a New Age estará sempre, na opinião deles, ligado ao satanismo.

Fh: Qualquer forma de pensamento independente.

DV: Sim, é exactamente isso, qualquer forma independente de pensamento. Sei uma história curiosa a propósito dessas pessoas. Eles estavam num centro comercial a fazer uma daquelas aparições públicas e a distribuir folhetos e apanhando literalmente as pessoas pelo braço. Um deles chegou ao pé de uma senhora que era feiticeira e disse-lhe " A primeira coisa que nós queremos que a senhora saiba é que Deus a ama, " ao qual a feiticeira muito educadamente respondeu " Sim eu sei que ela me ama". O senhor em questão ficou muito perturbado e acusou-a de blasfémia.

Fh: O que acha da relação que se estabeleceu entre o movimento Craft / Pagão e outros movimentos como o New Age e movimentos de espiritualidade feminina? Parece que, com o movimento ecologista aqui e com 20 anos de Dia da Terra, juntamente com a consciencialização do meio ambiente,  a Craft está a junta-se a estes movimentos em algumas partes do mundo.

DV: Ah claro, eu penso que sim, que se deve juntar. Penso que existe uma inter-relação vital. A razão pela qual a Craft se revelou ao público nos anos 50, não foi devido ao esforço de apenas uma pessoa, mas apenas porque tinha chegado a altura e todas estes outros movimentos surgiram porque chegou a altura certa para eles surgirem. Eles fazem parte da era de Aquário.
É um movimento histórico e é por isso que eu acho tão interessante observá-los. Já estou muito velha e a única coisa que posso fazer agora é observar. Mas observo com grande interesse, acredite.

Começamos agora a perceber de que modo a caça ás bruxas nos anais da história dizia de facto respeito á perseguição das mulheres e tudo tinha a ver com a colocação da mulher no seu devido lugar, tal como eram tidas em conta na época. As mulheres maldosas eram tidas como Feiticeiras e suspeitas de serem feiticeiras tal como as curandeiras, simplesmente por serem mulheres. Apenas os homens poderiam praticar a medicina. Hoje em dia começamos a ver que a ligação entre feminismo e a Witchcraft não é nada de novo. É algo que esteve patente desde sempre. De facto é algo que é vital na sua base.

Fh: É de facto um ressurgimento súbito e interessante.

DV: É exactamente isso. Um ressurgimento súbito. Porque será assim? Simplesmente porque existe, penso, um movimento histórico - aquilo que um dos antigos primeiros ministros chamou "os ventos da mudança soprando" o que é de facto uma expressão bastante apropriada para denominar a Era de Aquário. Aquário é um signo de ar e ele é o vento da mudança que sopra. Não existe ninguém que o possa parar.  Foi o vento da mudança que deitou a baixo o muro de Berlim.
...

Michael Thorn ã
*Segunda Parte   (em breve  )

Doreen Valiente
4 de Janeiro 1922
1 de Setembro de 1999


Texto gentilmente cedido a Celtic Oak 2000 ã por
Michael Thorn
Fireheart
1991

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