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 MORGANA  La  Fey
Heroína Pagã




... assim Lilith  falou :


Morgaine Argante de Gorlois, Senhora da Cornualha,
Heroína das Feiticeiras,
e por muitas de nós,
 já considerada quase uma divindade ...


... Desde os primeiros contos dos Bardos sobre as Lendas Arturianas, que tem havido muitas historias sobre Morgana, com interpretações de diferentes maneiras.
Desde as ascendências reais às motivações dos personagens, há grandes diferenças desde os autores da idade medieval aos da literatura contemporânea.

Morgana das Fadas é filha de Igraine e de seu primeiro marido, o Duque da Cornualha. Após a morte do Duque, Igraine mãe de Morgana,  casa com Uther.
Uther, O Pendragon, o primeiro Rei que conseguiu reunir os vários reinos independentes de Britania.
Com a queda de Roma, o poder político e religioso do Império desmoronara-se e após Constantino o cristianismo tornara-se a religião do Estado, com a sua verdade absoluta e intolerância  para os seguidores das Antigas crenças. Algumas  das tribos mantiveram-se fieis, por alguns anos á sua antiga religião e as suas leis. Perante ameaça externa, provocada pelas invasões dos Saxões, Uther é eleito chefe de guerra, ao qual todas as tribos se submetiam em campanha. Após a morte de Uther, Artur, meio irmão de Morgana, é eleito chefe supremo e continua a defesa contra os invasores Saxões.

A história de Excalibur a espada mágica, fez de Arthur um rei lendário e de Morgaine uma ousada feiticeira. Historia recontada com fantasia pelos povos, e posteriormente aproveitada  pela religião cristã, cita-se então, Morgaine, como a adversária de tudo e todos, -
Diga-se, das pessoas de fé ..e apresentaram-na como Senhora de um castelo de seres horrendos, rodeado de homens pendurados em arvores; quando na verdade a Cornualha era desprovida de florestas ...
Acrescentou-se à imagem de Morgana a das intrigas da corte e a instigadora da visita do Cavaleiro Verde à corte do rei Artur,
propositadamente para meter medo a Guinevere, rainha de Arthur e seguidora da cristandade, sempre directamente culpando Morgana das desgraças finais do decadente reino de Artur.
Acusada por  roubar a Excalibur dada a Arthur, (mas por Morgaine tecida de encantamentos!) e para a oferecer a seu amado Accolon, acusada de deitar a bainha mágica da espada, por ela tecida e por ela jogada ao lago ...  desta forma  incutia-se  nas pessoas, que tudo o que tivesse a ver com antigas formas de sabedoria, e de culto, eram maléficas, relembrando constantemente que os poderes de Sábia Senhora eram infernais ... - principalmente as tentações vinham da mulher, as mulheres .... as portadoras do mal! ... para o deus Uno era o tempo do seu reinado asfixiante.  Mas, decerto, que sem a presença de Morgana e as suas irreverentes facetas, Camelot teria sido um lugar muito aborrecido ...

A evolução da descrição do caracter e comportamento de Morgana le FEY, desde as suas raízes da mitologia celta, ao seu lugar na presente ficção é extremamente diversa. Apesar dos motivos da inimizade de Morgana por Artur e Guinevere serem múltiplos, Morgana, também é uma das Senhoras que levam o rei Arthur numa barca para Avalon, para que pudesse ser curado ... Esta imagem de Morgana como curandeira terá tido as suas origens nas lendas celtas cuja tradição não se desvaneceu totalmente, pois por longos anos manteve-se o hábito de contar as historias aos serões das longas noites.
Morgana La FEY raramente aparece em textos da Idade Média, mas, o único saliente é o manuscrito VITA  MERLINI. Neste, Morgana é apresentada como uma das 9 irmãs que governavam uma ilha, chamada Ilha Afortunada ou a Ilha das Macieiras. Diz-se que Morgana foi a primeira de nove irmãs que governavam a Afortunada Ilha das Macieiras e descrevem-na como uma curadora. Diz, também ter sido esposa do rei Uriens de Gales, de quem teve uma crianças nomeada Yvain (Ivaine).
Referencias aparentemente originadas da mitologia celta, colocam certos aspectos da Deusa Morrigan, directamente associados a  Morgana Le Fey. E possível que certos aspectos de Morgana  estejam associados a ela, mas Morgana não é o mesmo que A  Deusa Morrigan.
Aparecendo individualmente ou em forma tripla, A Morrigan tem a habilidade de mudar de forma, na maioria das vezes aparecendo como um corvo. Sendo deusa guerreira, a Morrigan também é uma profetiza e feiticeira e por tal pode predizer o futuro, usando os seus poderes para avisar os seus protegidos de perigo ...
daí as analogias ... - A Morrigan é uma divindade. Morgaine é uma heroina.

Em 1865, um escritor inglês, Mr. Madison Cawein, escreve dois romances: ACOLON  OF GAUL e MORGAN LE FAY, e pelo seu carácter, a personagem de Morgana La Fey, ascende a figura central de alguns novelistas. A sua lenda repartiu-se em factos dispersos, originando  romances fantasiado pelos autores, mas só  recentemente aparece escrito a sua aliança com Morgause, e supostamente ser a mãe de Mordred ...
Segundo Tomas Berger, no seu livro
Arthur´s Rex, ,Morgana, "depois de uma vida dedicada ao mal", decide tornar-se monja porque acreditava que a Corrupção seria expandida brevemente na humanidade, pelas forças da virtude!

Na nova literatura, não a tornaram necessariamente uma boa pessoa á visão cristã, mas tornou-se  mais dimensional, muito mais do que qualquer escritor medieval pudesse alguma vez caracterizá-la.  Em vez de ser má e ter somente o mal como única base de motivação, Morgana aparece duma forma complexa mas realçando mais o seu caracter que a animosidade.

Actualmente, apresentou-se Morgana La Fey, como uma defensora da justiça, patente nas modernas historias de Roger Zelazny - The last defender Of Camelot" ou na história de Anne Sanders - Excalibur, ou no famoso romance de Marion Zimmer - As Brumas de Avalon.
As Brumas de Avalon, despertaram um grande interesse pelo publico leitor,  apresentando-nos  uma interessante imagem duma Fay Queen.
As Brumas apresentam Morgana como uma mulher realista  e  não como a horrível mulher, pelo contrário, ela é uma Sacerdotisa da Ilha das Macieiras, neta de Merlin, que votou os seus ideias ao propósito da Deusa, seguindo os passos dados pelas suas ancestrais ... debatendo-se contra os pensamentos novos, no país  que se tornava cristão.
Esta forma de luta não era assim escrita nos textos medievais, pelo contrário, esses textos, cristãos por natureza, apresentam a cristandade como a única verdade de fé absoluta, enquanto que as "Brumas" apresentam a cristandade, como repressiva e insensível.

Na realidade, Morgana das Fadas, não era boa nem má,
ela apenas estava envolvida no trabalho da sua poderosa Deusa,
e para além da conspiração mesquinha e estéril, sempre demonstrou ser uma mulher sábia e verdadeira á sua causa. Se assim não o fosse na realidade, o seu mito não teria sobrevivido aos tempos.

Morgaine Mulher,
Morgaine, Sacerdotisa da Velha Religião,
Guardiã de Mistérios,
e a quem devemos o mais profundo respeito e admiração.
Nós, modernas feiticeiras e pagãos seguidores de várias tradições, jamais poderíamos ressurgir assim ... A sua fama através dos tempos, restaurou o nome dos Antigos e dissipou o medo, medos esses que até há bem pouco, existiam na mente das pessoas, despertando em alguns, até, um renovado interesse pelo passado.
Sem a sua força interior e coragem, que a tornaram uma figura da História ...
Muito lhe devemos, nós, actuais seguidores da Antiga Religião.
A imagem de Morgaine de Avalon, a realeza da sua crença, a sua perseverança e coragem,
 temos nela o exemplo de que não DESISTIR dos ideais, é uma forma de VENCER!

Morgaine de Avalon,
foi das ultimas a encerrar os portões dos antigos Mistérios ...
E também nós, devemos seguir o seu exemplo, ao sabermos a quem abrimos os portões.
Se no passado, os nossos Ancestrais, lutaram contra a humilhação e as torturas, nós, hoje,
temos o árduo caminho de lutar contra as mentalidades mescladas e a corrupção.

A todos vós aqui presentes, especialmente aos seguidores das Antigas Religiões,
ABENÇOADOS SEJAM!

S. Sacerdotisa Lilith

Texto d HPs. Lilith 2000 ã


Texto lido na Conferência da Federação Pagã Portuguesa


em 28 de Outubro de 2000 no Teatro da Comuna - Lisboa


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Celtic Oak 2000 â


Templo de Lugh 2001® 
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